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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O transporte sustentável cria mais emprego do que a indústria automóvel

Temos visto que não só pode haver vida sem carro, como uma evolução nesse sentido contribuirá para maior dinamismo e qualidade de vida nos centros urbanos, melhor saúde física e mental, mais coesão social e, claro, menor impacto ambiental, com redução das emissões de carbono/alterações climáticas, da poluição, da dependência do petróleo, das perdas de espaços verdes e biodiversidade, etc. Mas a vantagens não ficam por aí!

Um relatório divulgado no Reino Unido no ano passado, apresentando o primeiro estudo que analisa de forma abrangente a criação de emprego resultante do investimento em diferentes formas de transporte, conclui que, também neste plano, os modos de transportes mais sustentáveis se mostram vantajosos. Mais concretamente, constata que:
  • uma redução nas deslocações de automóvel e transferência para transportes públicos resultaria em aumento do emprego;
  • a criação de 100 postos de trabalho directos em caminhos de ferro (rail) apoia 140 postos indirectos e induzidos, por contraste com 100 postos de trabalho directos na indústria automóvel (motor), que resulta em 48 postos indirectos e directos;
  • investigação sobre investimento em transportes na América, comprova que investir em transportes públicos cria o dobro de postos de trabalho face ao investimento em estradas.

O relatório conclui que: “Há evidência de que o impacto no emprego dos serviços de caminho de ferro e autocarro é considerável e de que um aumento nas deslocações em transporte público em detrimento das deslocações de automóvel resultaria em mais emprego”, salientando que este sector, que envolve uma diversidade de profissões e competências, pode dar um importante contributo para a recuperação económica e crescimento.

Aí está pois mais um argumento para o debate “Cidades pela Retoma” que está a ser promovido em Faro

Traduzido e adaptado de: PTEG http://www.pteg.net/MediaCentre/PressReleases/greentransport
O download do relatório (em inglês) pode ser feito aqui.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Existirá vida para além do carro!!! (6) *

"Dito" de outra forma:


MUSIC PAINTING - © and property of Matteo Negrin and Lab
Alice Ninni, Alberto Filippini, Luca Cattaneo



* Este é o 6º post (e talvez último) post com este título

Obrigada pelo link Quita ! para mais ficámos a saber que também há um som Glocal :-)

Existirá vida para além do carro?! (5) *

Como já aqui se sublinhou antes, a verdade é que é mesmo para lá dos carros que existe mais vida! no sentido ambiental mas também da própria saúde humana [veja o post: Vamos olhar para os Transportes. Alguns factos].

De tal forma, que se tem vindo progressivamente a apelar ao envolvimento dos profissionais de saúde pública no planeamento dos transportes, já que a promoção de sistemas adequados pode traduzir-se em importantes ganhos para a saúde das populações.

E não estamos a falar só de andar mais a pé ou de bicicleta, claro – como fica patente na recente publicação da Organização Mundial de SaúdePela defesa do transporte público seguro e saudável” (traduzida para português do Brasil).
São aqui sublinhados diversos riscos da não implantação de sistemas de transporte público adequados, em geral associada ao crescimento urbano desordenado: aumento de acidentes de trânsito, maiores níveis de ruído, poluição do ar e degradação ambiental; mais tempo diário perdido em viagem; hábitos mais sedentários, com consequências adversas a nível da saúde; maiores níveis de stress e outros problemas de saúde mental; e maior isolamento físico e social, depressão e redução geral da coesão social. Outras desvantagens são ainda assinaladas, como a redução dos espaços verdes, desvalorização da propriedade devido a alto nível de ruído ambiental, aumento da criminalidade, redução geral da qualidade de vida e custos para a sociedade associados à alta frequência de congestionamentos de trânsito. O documento apresenta dados mas também medidas preventivas ou correctivas para cada um desses problemas.

O transporte público surge assim como uma opção vantajosa do ponto de vista da saúde, que tem também o potencial de reduzir desigualdades sociais, tornar a mobilidade mais eficiente, proteger e até mesmo melhorar o ambiente físico, e proporcionar mais segurança.

Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde - Pela defesa do transporte público seguro e saudável. Washington, D.C.: OPAS, 2010. (pdf)

* O post (o 5º com este título) vem na sequência de “Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)” (Glocal Faro, 8/12/10)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Existirá vida para além do carro?! (4) *

Este esquema apresenta parte da rede de conexões entre o aumento do uso de automóvel e consequências sociais e ambientais em áreas urbanas.

Fonte: GCPH - How can transport contribute to public health? Nov. 2007.
(encontra aqui uma tradução do esquema para ...brasileiro)

Vejam-se nomeadamente as implicações no crescimento disperso, aumento das grandes superfícies comerciais, consequente perda do pequeno comércio local e degradação dos centros urbanos - bem a propósito das questões levantadas na conferência de Dezembro "Cidades pela Retoma", sobre o esvaziamento do centro de Faro.
Para além das mais óbvias consequências em termos, por exemplo, de poluição e emissões de carbono, perda de espaços verdes e de biodiversidade. Assinale-se também o impacto negativo na saúde, que em breve retomaremos.

* O post (o 4º com este título) vem na sequência de “Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)” (Glocal Faro, 8/12/10)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Existirá vida para além do carro?! (3) *

Para quem venha com o argumento de que não se pode viver sem carro … quando se tem filhos… …porque se tem de transportar coisas… ;-)
Ainda o exemplo de Copenhaga – cidade onde só 40% dos habitantes têm automóvel



Fonte: Copenhagen Cargo Bikes - Clarence Eckerson, Jr. 17/09/2010

* O post (o 3º com este título) vem na sequência de “Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)” (Glocal Faro, 8/12/10)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Existirá vida para além do carro?! (2) *

Os dinamarqueses descobriram que sim!

E ao contrário do que alguns temiam, as limitações ao trânsito no centro de Copenhaga não só não prejudicaram o comércio como permitiram a dinâmica incrível que se vê nas imagens!

Claro que sendo o clima de Faro um bocado diferente, não teremos as mesmas potencialidades... ;-)



Copenhaga começou a tomar medidas para travar a "invasão de carros" no início dos anos 60 e actualmente, para além de ruas fechadas ao trânsito e 18 parques de estacionamento no centro transformados em espaços públicos, há também zonas "partilhadas" onde carros, bicicletas e peões se misturam, graças a medidas para “acalmar” o trânsito. Os limites de velocidade em grande parte da cidade são de 30 - 40 km/h - mas nalgumas zonas residenciais chegam a ser de 15km/h, dando prioridade aos moradores.

Fonte: Copenhagen’s Car-Free Streets & Slow-Speed Zones - Clarence Eckerson, Jr. 04/08/2010

* O post (o 2º com este título) vem na sequência de “Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)” (Glocal Faro, 8/12/10)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Existirá vida para além do carro?! *

Boa parte dos portugueses possivelmente pensará que não :-(
É que entre os países da Europa dos 15, somos o 3º que mais utiliza o automóvel no transporte de passageiros!!
(85,2% dos transportes era feito nesta modalidade em 2008 - um valor superior aos 83,8% de média na UE15 e só ultrapassado pela Holanda e Reino Unido)
Fonte dados: Eurostat

Mais desmoralizante ainda é que há 10 anos atrás tínhamos um valor bastante abaixo da generalidade dos nossos parceiros europeus, mas o uso do carro tem vindo entretanto a aumentar entre nós, ao passo que noutros países estagnou ou mesmo diminuiu - como é o caso da Dinamarca.
Fonte dados: Eurostat

Se pensarmos que o nosso PIB, está bem no fundo da tabela face a esses 15 países da UE (sendo por exemplo cerca de 2/3 do PIB per capita da Dinamarca!), a “fixação” dos portugueses no automóvel torna-se ainda mais… saliente

Também o número de carros em circulação em Portugal tem vindo a aumentar, tanto em valores absolutos (4 457 000 automóveis em 2009, mais 29% do que 2000!) como relativos (em 2009 havia 4,2 veículos por cada 10 habitantes, quando em 2000 a taxa era de 3,4). Um crescimento que ainda por cima foi bem mais acentuado que o do nº de pesados de passageiros, nesses mesmos 10 anos (11%) ... (Fonte dados: IMTT )


Alguém conhece dados de Faro/Algarve?

Encontra dados e comentários adicionais sobre este tema no Blogue «Menos um carro» - neste texto e noutros sobre a nossa carro-dependência

* Este post vem na sequência de “Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)” (Glocal Faro, 8/12/10)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Continuando o diálogo lançado em “Cidades pela Retoma”: pistas (1)

O fenómeno de esvaziamento do centro das cidades (cada vez mais penosamente evidente em Faro), a par do crescimento (no caso, desordenado) das periferias, está interligado com um outro: a dependência do automóvel, que tão fortemente nos caracteriza.

Assim um não se poderá resolver sem considerar o outro - e ambos parecem essenciais para repensar Faro.

Mas... existirá vida para além do carro?!? ;)
Essa é a questão que se irá explorar em próximos posts