domingo, 19 de dezembro de 2010

Progresso em Cancún? (Mensagem da 350.org)

«Não é algo que a gente ouça muitas vezes quando se trata de negociações de clima: "houve progressos".

Às 4 da manhã de sábado 11 de dezembro em Cancun, os delegados saíram das negociações da ONU, todos eles precisando dormir e a maioria deles sorrindo. Tinham conseguido chegar a um acordo que servirá de base para conversações futuras. Os acordos que saíram de Cancun não serão suficientes para fazer o mundo regressar aos 350 – mas já são um vislumbre de um caminho que talvez nos leve nessa direção.

O sentimento de ímpeto que veio de Cancun foi revitalizante: os países reconstruíram a confiança, e enfrentaram assuntos difíceis como a desflorestação e a transparência. Esta confiança estava seriamente sob suspeita depois do fracasso, no ano passado, das negociações de Copenhague – e até mesmo nas horas finais das negociações em Cancun.

Estes países vão agora ter de negociar com o clima mundial – e a física e a química que governam o clima não aceitam negociações.
Após o modesto progresso conseguido em Cancun, é tentador ignorar o fato de que os delegados acima de tudo evitaram o verdadeiro cerne das negociações: exatamente quanto é que os países vão reduzir as suas emissões que estão aquecendo o planeta?

Na realidade, os compromissos que agora constam do texto da negociação continuam grosseiramente desadequados, deixando o planeta numa rota de colisão com pelo menos 4 graus centígrados de subida de temperatura – uma perspetiva aterradora que nos colocaria mais perto das 750ppm que das 350ppm. Isto é muito distante de onde deveríamos estar, e esse fosso não vai ser transposto se simplesmente ficarmos à espera da convenção do próximo ano, em Durban, na África do Sul.

Para ultrapassar o fosso entre a necessidade científica e a possibilidade política, temos de lutar contra a influência dos grandes poluidores no processo político.
No final da semana passada, milhares de vocês se manifestaram em apoio ao países mais vulneráveis, enviando suas mensagens de solidariedade de todos os cantos do mundo. A nossa equipe em Cancun entregou as vossas mensagens diretamente para os delegados, e os recordou do quanto o mundo está contando com eles para fazerem frente aos grandes poluidores.

Ao construir um movimento de clima em torno das soluções que a ciência e a justiça exigem, ajudámos a manter vivo este processo quando os grandes poluidores tentaram destruí-lo. Deixámos bem claro o que diz a ciência. E graças às vossas mensagens de solidariedade, fortalecemos as vozes das nações vulneráveis, que juraram manter viva a luta por acção corajosa em termos de clima.

Nos meses e anos que se seguem, essa vai continuar sendo nossa luta também. Nas últimas horas das conversações de Cancun, os membros da equipe da 350.org estavam no grupo de pessoas que se mantinham pacificamente à entrada das salas de negociação enquanto lentamente contavam até 21.000, o número de mortes atribuídas a desastres relacionados com o clima nos primeiros nove meses deste ano. Ao fim de duas semanas de negociações abstratas, este evento vem recordar de forma pungente aquilo que está em jogo nesta luta – e a força dos laços que ligam esta rede global.
Alguns de vocês ao receberem este e-mail vão estar desejando que nós condenássemos os acordos que saíram de Cancun – assim como vai haver aqueles de vocês que gostariam que a gente chamasse a essa uma vitória cheia de esperança.

Mas nós não nos envolvemos neste movimento para condenar ou aplaudir: estamos nisto para vencer.

Para isso, temos de ganhar primeiro o capitólio do nosso país e, para isso, temos de nos organizar em todas as comunidades em que vivemos. Começamos esse trabalho, mas ainda temos muito trabalho pela frente.

Vamos fazer isso com esperança, com paixão, e com  uma determinação a toda a prova. E, acima de tudo, vamos fazer isso juntos.

Em frente»

Fonte: email de May Boeve, em nome da Equipe da 350.org

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